Este livro mostra com clareza por que se admite hoje como fato normal a repetição de sons, itens lexicais, estruturas sintáticas e enunciados no discurso oral e derruba o equívoco das gramáticas de nosso ensino escolar que insistem em resistir à presença da repetição da escrita. Uma resistência comprovadamente infundada, já que também a escrita se serve da repetição como estratégia de textualização em grau próximo o da oralidade. Nas palavras da Autora, “embora o ato de repetir tenha suas raízes mergulhadas na oralidade”, as análises qualitativas e quantitativas evidenciaram que, tanto para o português como para o espanhol falado e escrito, pode-se “colocar em julgamento a afirmação corrente na literatura lingüística de que a repetição é um traço central da oralidade”. Mesmo fazendo um recorte nítido em seus materiais de análise, ao se restringir a textos narrativos e, dentro destes, enfocar em especial o caso dos enunciados avaliativos, as observações e as análises realizadas são riquíssimas e estimulantes a todos os interessados do funcionamento do discurso oral e escrito.